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Bruna Surfistinha – Por que tantas meninas de classe média estão virando garotas de programa

29 de jan de 2006




Bruna era uma típica menina da classe média paulistana. Estudou em alguns dos melhores colégios da capital, como Bandeirantes e São Luís. De manhã, aulas. À tarde, academia. À noite, horas vendo MTV. Inglês duas vezes por semana. Shopping aos sábados e domingos. Brigas com os pais. Várias. Até que, um dia, a coisa degringolou. Começou a se drogar, roubava dinheiro e jóias da mãe, saiu de casa e foi vender o corpo. Quando veio à tona a história de Bruna Surfistinha – codinome que Raquel Pacheco adotou ao se prostituir -, pais e mães arregalaram os olhos: ‘E se minha filha virar garota de programa?’.
Trata-se de um enredo – e de um temor – cada vez mais comum na classe média das grandes cidades. Impacientes diante da dificuldade de seguir uma carreira convencional, cada vez mais garotas com um histórico familiar e escolar de elite optam pela prostituição. Na década de 90, havia um único prostíbulo de alto luxo em São Paulo. Hoje já há quase 15, por onde circulam 2 mil garotas de origem social não muito distante da dos clientes. Meninas bem-criadas de São Paulo, Rio de Janeiro e Estados do Sul costumam acorrer a Brasília em busca de faturamento alto e baixo risco de topar com conhecidos. Algumas pegam avião na terça-feira e passam a semana legislativa na capital federal, atendendo políticos e empresários. Ficaram famosos os casos da atriz Marilyn Monroe, que fazia programas no início da carreira, de Heidi Fleiss, a Madame Hollywood, suspeita de manter uma lista de clientes célebres nos anos 90, e da agenciadora Jeany Mary Córner, acusada de abastecer políticos durante o escândalo do mensalão. A eclosão de Bruna Surfistinha no noticiário apenas tirou o véu que encobria uma realidade normalmente varrida para debaixo do tapete. ‘Ela não foi para a TV afirmar que era prostituta para sustentar os filhos, nem porque morria de fome’, diz Elisiane Pasini, antropóloga da Unicamp que há dez anos estuda a prostituição. ‘Escolheu ser prostituta. Isso assusta as pessoas.’ Para a antropóloga Mirian Goldenberg, o fenômeno também teve um efeito liberador. ‘Uma menina de 21 anos vem a público e diz que transou com mais de mil, de todas as formas, e que além de tudo sentiu prazer’, diz. ‘As mulheres podem não querer fazer igual, mas se sentem mais livres.’
No passado, a mulher que vendia o corpo justificava o ato pela necessidade de sobreviver. Hoje, quer consumir grifes e bebidas caras, circular pelo mundo do glamour. Nas maiores capitais do país, as casas mais badaladas atraem a clientela com garotas de programa de nível universitário. A história é quase sempre a mesma. Meninas de classe média que não querem mais viver com os pais ou depender deles são levadas por uma amiga para o mundo da prostituição. Em poucas semanas, descobrem que podem ganhar num dia o triplo que ganhariam em um mês. Numa casa onde se concentram prostitutas de luxo como o Bahamas, em São Paulo, o programa não sai por menos de R$ 300. O mais comum é que se cobre R$ 700. Estima-se que, apenas nas casas mais badaladas da capital paulista, as meninas faturem até R$ 20 mil no mês. As que já tiveram seus corpos estampados em revistas masculinas e fizeram pontas em TV cobram mais caro. Um jovem empresário carioca de 29 anos afirma ter pago R$ 6 mil por um programa com uma cobiçada apresentadora de programa esportivo. ‘Ela ainda nem tinha saído na Playboy’, diz. A noitada, segundo o empresário, foi um fiasco. ‘Absolutamente impessoal e mecânica’, afirma
O dono de uma das mais badaladas casas noturnas freqüentadas por garotas de programa em São Paulo gasta o que pode para levar as meninas de ‘capa de revista’ que os clientes lhe pedem. Pilotos de Fórmula 1, habitués da casa, chegam a gastar R$ 25 mil numa festinha particular. Num mês de campeonato, Jordana Lopes, de 19 anos, afirma ganhar até R$ 16 mil. A menina diz falar inglês e querer estudar Moda. Conta que saiu da casa do pai, um executivo que vive em Maceió, para ser livre em São Paulo. Quando ele ficou sabendo, de acordo com Jordana, deu-lhe uma bronca, disse que ela teria o mesmo padrão de vida ao lado dele. ‘Mas com ele eu não teria liberdade’, afirma. A mãe, segundo ela, nem reagiu. ‘Ela sabe que não pode falar nada porque não teria condições de me dar uma vida assim’, afirma Jordana. No Rio, a garota de programa Alana, de 20 anos, diz faturar até R$ 1.600 por dia. ‘Já ganhei uma moto de um cliente. Em pouco tempo, paguei todas as minhas contas, comprei computador, roupa e celular da moda’, afirma ela. ‘Minha mãe sabe o que faço. Só ela.’A história de Bruna Surfistinha não é muito diferente dessas. Quando saiu de casa, aos 17 anos, depois de brigar com os pais, tinha uma ambição profissional bem clara: prostituir-se. Entre tantas outras garotas de programa, só ficou conhecida porque, numa pesquisa pela internet, viu que não havia no Brasil nenhum diário pessoal de prostituta brasileira na web, ou blog. Resolveu, então, unir a tecnologia mais moderna à mais antiga das profissões. Sem pudor, passou a descrever em seu blog a vida ä como profissional do sexo. Entre um parágrafo e outro de luxúria, chorava mágoas. A relação com os clientes mudou. ‘Antes, me tratavam como vagabunda. Depois da fama, passaram a me tratar como mulher. Virei amiga, comecei a ganhar presentes’, diz. Ganhou respeito

Marcos Lopes/ÉPOCA
INTIMIDADE Em seu blog e em seu livro, Bruna narra detalhes de mais de mil programas que já realizou
Bruna era uma típica menina da classe média paulistana. Estudou em alguns dos melhores colégios da capital, como Bandeirantes e São Luís. De manhã, aulas. À tarde, academia. À noite, horas vendo MTV. Inglês duas vezes por semana. Shopping aos sábados e domingos. Brigas com os pais. Várias. Até que, um dia, a coisa degringolou. Começou a se drogar, roubava dinheiro e jóias da mãe, saiu de casa e foi vender o corpo. Quando veio à tona a história de Bruna Surfistinha – codinome que Raquel Pacheco adotou ao se prostituir -, pais e mães arregalaram os olhos: ‘E se minha filha virar garota de programa?’.
Trata-se de um enredo – e de um temor – cada vez mais comum na classe média das grandes cidades. Impacientes diante da dificuldade de seguir uma carreira convencional, cada vez mais garotas com um histórico familiar e escolar de elite optam pela prostituição. Na década de 90, havia um único prostíbulo de alto luxo em São Paulo. Hoje já há quase 15, por onde circulam 2 mil garotas de origem social não muito distante da dos clientes. Meninas bem-criadas de São Paulo, Rio de Janeiro e Estados do Sul costumam acorrer a Brasília em busca de faturamento alto e baixo risco de topar com conhecidos. Algumas pegam avião na terça-feira e passam a semana legislativa na capital federal, atendendo políticos e empresários. Ficaram famosos os casos da atriz Marilyn Monroe, que fazia programas no início da carreira, de Heidi Fleiss, a Madame Hollywood, suspeita de manter uma lista de clientes célebres nos anos 90, e da agenciadora Jeany Mary Córner, acusada de abastecer políticos durante o escândalo do mensalão. A eclosão de Bruna Surfistinha no noticiário apenas tirou o véu que encobria uma realidade normalmente varrida para debaixo do tapete. ‘Ela não foi para a TV afirmar que era prostituta para sustentar os filhos, nem porque morria de fome’, diz Elisiane Pasini, antropóloga da Unicamp que há dez anos estuda a prostituição. ‘Escolheu ser prostituta. Isso assusta as pessoas.’ Para a antropóloga Mirian Goldenberg, o fenômeno também teve um efeito liberador. ‘Uma menina de 21 anos vem a público e diz que transou com mais de mil, de todas as formas, e que além de tudo sentiu prazer’, diz. ‘As mulheres podem não querer fazer igual, mas se sentem mais livres.’
2 milgarotas trabalham em prostíbulos de luxo em São Paulo
70%foi o aumento da participação de adolescentes de classe média na prostituição nos EUA
R$700é o preço médio de um programa com uma prostituta de alto nível
No passado, a mulher que vendia o corpo justificava o ato pela necessidade de sobreviver. Hoje, quer consumir grifes e bebidas caras, circular pelo mundo do glamour. Nas maiores capitais do país, as casas mais badaladas atraem a clientela com garotas de programa de nível universitário. A história é quase sempre a mesma. Meninas de classe média que não querem mais viver com os pais ou depender deles são levadas por uma amiga para o mundo da prostituição. Em poucas semanas, descobrem que podem ganhar num dia o triplo que ganhariam em um mês. Numa casa onde se concentram prostitutas de luxo como o Bahamas, em São Paulo, o programa não sai por menos de R$ 300. O mais comum é que se cobre R$ 700. Estima-se que, apenas nas casas mais badaladas da capital paulista, as meninas faturem até R$ 20 mil no mês. As que já tiveram seus corpos estampados em revistas masculinas e fizeram pontas em TV cobram mais caro. Um jovem empresário carioca de 29 anos afirma ter pago R$ 6 mil por um programa com uma cobiçada apresentadora de programa esportivo. ‘Ela ainda nem tinha saído na Playboy’, diz. A noitada, segundo o empresário, foi um fiasco. ‘Absolutamente impessoal e mecânica’, afirma.
Arq. Ed. Globo
FOI UMA FASE Marilyn Monroe fez sexo profissionalmente antes de emplacar a carreira como atriz
O dono de uma das mais badaladas casas noturnas freqüentadas por garotas de programa em São Paulo gasta o que pode para levar as meninas de ‘capa de revista’ que os clientes lhe pedem. Pilotos de Fórmula 1, habitués da casa, chegam a gastar R$ 25 mil numa festinha particular. Num mês de campeonato, Jordana Lopes, de 19 anos, afirma ganhar até R$ 16 mil. A menina diz falar inglês e querer estudar Moda. Conta que saiu da casa do pai, um executivo que vive em Maceió, para ser livre em São Paulo. Quando ele ficou sabendo, de acordo com Jordana, deu-lhe uma bronca, disse que ela teria o mesmo padrão de vida ao lado dele. ‘Mas com ele eu não teria liberdade’, afirma. A mãe, segundo ela, nem reagiu. ‘Ela sabe que não pode falar nada porque não teria condições de me dar uma vida assim’, afirma Jordana. No Rio, a garota de programa Alana, de 20 anos, diz faturar até R$ 1.600 por dia. ‘Já ganhei uma moto de um cliente. Em pouco tempo, paguei todas as minhas contas, comprei computador, roupa e celular da moda’, afirma ela. ‘Minha mãe sabe o que faço. Só ela.’
A história de Bruna Surfistinha não é muito diferente dessas. Quando saiu de casa, aos 17 anos, depois de brigar com os pais, tinha uma ambição profissional bem clara: prostituir-se. Entre tantas outras garotas de programa, só ficou conhecida porque, numa pesquisa pela internet, viu que não havia no Brasil nenhum diário pessoal de prostituta brasileira na web, ou blog. Resolveu, então, unir a tecnologia mais moderna à mais antiga das profissões. Sem pudor, passou a descrever em seu blog a vida ä como profissional do sexo. Entre um parágrafo e outro de luxúria, chorava mágoas. A relação com os clientes mudou. ‘Antes, me tratavam como vagabunda. Depois da fama, passaram a me tratar como mulher. Virei amiga, comecei a ganhar presentes’, diz. Ganhou respeito.

Apaixonou-se por um dos clientes, João Paulo Moraes, que se separou da mulher para casar com Bruna. O sucesso definitivo veio quando lançou o livro O Doce Veneno do Escorpião, hoje segundo colocado na lista de best-sellers, com vendas superiores a 80 mil exemplares, de acordo com a editora Panda Books. Casada e aposentada, diz ter começado a escrever um novo livro, de auto-ajuda. Vai arriscar a carreira de atriz em uma peça sobre sua vida e num filme da produtora TV Zero. Quer ser empresária e lançar uma linha de produtos ‘Bruna Surfistinha’ com sabonetes, calcinhas, camisinhas e – por que não? – brinquedos de sex shop.
O percurso da carreira de Bruna segue uma tendência mundial. ‘Escolher a prostituição é como escolher outra profissão qualquer’, diz Eliana Calligaris, psicanalista gaúcha autora do livro Prostituição: o Eterno Feminino. O Japão foi o primeiro país onde a carreira começou a ser uma opção freqüente entre garotas de classe média, ainda na década de 60. Na Tailândia, a capital Bangcoc se transformou em um pólo de turismo sexual e opção de vida comum entre mulheres de todos os estratos sociais e dos países vizinhos. Nos Estados Unidos, onde a prostituição é uma atividade legal em regiões como Las Vegas, em três anos houve um aumento de 70% na quantidade de adolescentes de classe média e alta que entraram no ramo. ‘O perfil da prostituta de porto está superado’, diz Ari Rehfeld, psicoterapeuta da PUC de São Paulo. ‘Hoje, ela é uma mulher bonita, que mora num flat, tem namorado, se veste bem, vai ao spa, freqüenta altas-rodas e seleciona seus ä clientes.’ Simone Gomes, de 25 anos, se define como uma dessas prostitutas chiques e afirma cobrar R$ 700 por programa. ‘Não dá para chegar tirando a roupa. Tem de sentar, olhar nos olhos, perguntar como foi o dia dele, esperar que ele te sirva uma dose de uísque.’ Ela diz que a família não sabe de nada e acha que ela tem um amante rico.Bruna Surfistinha.

Simone é um retrato do pragmatismo da prostituta contemporânea. Afirma trocar sexo por luxo e dinheiro. Diz ter acompanhado clientes por Espanha, Itália, Portugal. Conta que, em Miami, teve um minutinho Uma Linda Mulher (filme com Julia Roberts) numa loja em que foi deixada a sós com um milionário cartão de crédito. ‘Não sei quando vou parar. Onde eu iria trabalhar agora, como atendente em consultório médico? Uma vez nessa, ou você sai casada, ou com muita grana. Eu fico com a segunda opção.’
A garota de programa sabe que, se não trocasse sexo por dinheiro, contaria o salário no fim do mês. Seria altamente improvável que, em alguma outra carreira, tirasse R$ 20 mil mensais aos 25 anos. Qualquer mulher dessa idade em começo de carreira ganha, quando muito, R$ 2 mil por mês. É um trabalho que não exige estudo, mas beleza. Não exige preparo, mas desprendimento e pouco investimento. As mais sofisticadas põem silicone nos seios, fazem lipoaspiração e vivem em salões de beleza. Mas nada se compara ao investimento que uma estudante de Direito faz em cinco anos de curso de uma faculdade particular – até R$ 60 mil só em mensalidades. Com 30 anos, porém, a garota de programa já pode pensar em se aposentar. ‘Pretendo parar assim que tiver dinheiro para comprar um carro e um apartamento’, afirma Carolina, de 18 anos. Não é um dinheiro fácil, costumam dizer as jovens garotas de programa. É apenas rápido.
Claro que a vida dessas meninas não é feita de glamour e dinheiro. Os maiores riscos são a rejeição familiar, a falta de amigos, as doenças venéreas como a Aids e a solidão. O estigma de ter sido prostituta pode acompanhar a mulher pelo resto da vida. ‘Elas mentem, dizem que entram por dinheiro e vão largar a prostituição, porque carregar o peso dessa profissão pode ser insuportável socialmente’, afirma a psicanalista Eliana Calligaris. ‘Há uma distância muito pequena entre o sorriso fácil, a cara de tesão e o choro e a depressão’, diz um empresário carioca que já transou com mais de mil garotas de programa. Os consultórios psicológicos estão cheios dessas garotas. Rehfeld, da Clínica Psicológica da PUC-SP, diz que elas costumam aparecer quando estão prestes a largar a profissão. ‘Querem aprender a lidar com o passado e com o futuro. Querem saber como fazer o namorado acreditar que elas não vão mais fazer programa de novo, querem aprender a lidar com situações como entrar num shopping com o namorado e encontrar um ex-cliente’, diz Rehfeld.

Thais Antunes/ÉPOCA
“Abrimos um caminho desconhecido no casamento depois de lermos o livro’
GISELE RAMON, bancária, com o marido
Simone é um retrato do pragmatismo da prostituta contemporânea. Afirma trocar sexo por luxo e dinheiro. Diz ter acompanhado clientes por Espanha, Itália, Portugal. Conta que, em Miami, teve um minutinho Uma Linda Mulher (filme com Julia Roberts) numa loja em que foi deixada a sós com um milionário cartão de crédito. ‘Não sei quando vou parar. Onde eu iria trabalhar agora, como atendente em consultório médico? Uma vez nessa, ou você sai casada, ou com muita grana. Eu fico com a segunda opção.’
A garota de programa sabe que, se não trocasse sexo por dinheiro, contaria o salário no fim do mês. Seria altamente improvável que, em alguma outra carreira, tirasse R$ 20 mil mensais aos 25 anos. Qualquer mulher dessa idade em começo de carreira ganha, quando muito, R$ 2 mil por mês. É um trabalho que não exige estudo, mas beleza. Não exige preparo, mas desprendimento e pouco investimento. As mais sofisticadas põem silicone nos seios, fazem lipoaspiração e vivem em salões de beleza. Mas nada se compara ao investimento que uma estudante de Direito faz em cinco anos de curso de uma faculdade particular – até R$ 60 mil só em mensalidades. Com 30 anos, porém, a garota de programa já pode pensar em se aposentar. ‘Pretendo parar assim que tiver dinheiro para comprar um carro e um apartamento’, afirma Carolina, de 18 anos. Não é um dinheiro fácil, costumam dizer as jovens garotas de programa. É apenas rápido.
Claro que a vida dessas meninas não é feita de glamour e dinheiro. Os maiores riscos são a rejeição familiar, a falta de amigos, as doenças venéreas como a Aids e a solidão. O estigma de ter sido prostituta pode acompanhar a mulher pelo resto da vida. ‘Elas mentem, dizem que entram por dinheiro e vão largar a prostituição, porque carregar o peso dessa profissão pode ser insuportável socialmente’, afirma a psicanalista Eliana Calligaris. ‘Há uma distância muito pequena entre o sorriso fácil, a cara de tesão e o choro e a depressão’, diz um empresário carioca que já transou com mais de mil garotas de programa. Os consultórios psicológicos estão cheios dessas garotas. Rehfeld, da Clínica Psicológica da PUC-SP, diz que elas costumam aparecer quando estão prestes a largar a profissão. ‘Querem aprender a lidar com o passado e com o futuro. Querem saber como fazer o namorado acreditar que elas não vão mais fazer programa de novo, querem aprender a lidar com situações como entrar num shopping com o namorado e encontrar um ex-cliente’, diz Rehfeld.
1.200homens fizeram sexo com Bruna Surfistinha
80 milexemplares do livro O Doce Veneno do Escorpião já foram vendidos
R$20 milé o que dizem ganhar por mês, em média, as garotas de programa de luxo
Ao contar sua intimidade, Bruna Surfistinha fez com que homens e mulheres, meninos e meninas, gente dos mais variados tipos, conhecessem de perto a vida de uma prostituta. ‘Como ä uma moça de classe média como eu poderia saber o que se passava?’, diz Michele Inácio, corretora de seguros de 24 anos e criadora de uma comunidade em homenagem a Bruna no Orkut. ‘Um homem pode ir ver de perto. Eu não tinha a menor noção do que era a vida de uma garota de programa.’ Agora, ela troca e-mails com Bruna. Metade do público leitor do livro de Bruna é do sexo feminino, de acordo com a editora Panda Books. Assim como nos Estados Unidos, onde as mulheres viraram consumidoras dos livros escritos por ex-prostitutas e estrelas de filme pornô, Bruna Surfistinha atraiu a atenção de milhares de mulheres de vida sexual monogâmica. Casada com seu primeiro e único homem, Gisele Ramon, bancária de 23 anos, leu o livro ao lado do marido. ‘Sexo era assunto aberto na minha casa, com meus pais. Mesmo assim, sempre fui muito recatada. Nunca li nada erótico. Vídeo pornô, então, pedia para tirar na metade’, diz Gisele. ‘Depois do livro, começaram a rolar assuntos e curiosidades que não existiam. Abrimos um caminho desconhecido, até mesmo sobre o casamento.’
O fenômeno Bruna Surfistinha tirou um assunto de dentro da alcova e o colocou no centro da sala de estar. O debate público em torno de sua história, que ganhou força nas comunidades virtuais, representa uma mudança na forma como as pessoas vêem o sexo. ‘Na década de 50, casais proibiam seus filhos de namorar filhos de pais separados. A moral era muito rígida. Hoje, essa moral tradicional não corresponde mais aos anseios das pessoas’, diz a sexóloga Regina Navarro Lins, autora de O Livro de Ouro do Sexo. ‘A prostituição começa a deixar de ser algo tão terrível’, afirma.
Embora Bruna tenha ajudado a pôr em xeque os preconceitos, a questão ainda assusta os pais. ‘Numa família em que há história de prostituição, normalmente nem há muito espaço para diálogo’, diz a psicóloga Ana Bock, da PUC-SP. De acordo com Eliana Calligaris, um dos componentes presentes na vida das prostitutas é o pai fraco e a mãe ciumenta. ‘Isso está nas entrelinhas do livro da Bruna. Em vários trechos ela fala do pai. Conta que esperava que fosse apanhar dele. Isso mostra que ela queria ter recebido mais noção de limites’, diz Eliana.
Nesses casos, os pais costumam romper com as filhas, ou então aceitar a situação meio a contragosto. De acordo com Ana Bock, porém, apenas uma conversa franca é capaz de reatar laços familiares. ‘É preciso estar disposto a ouvir o outro lado, sem tentar impor sua razão para o filho’, diz ela. ‘Nessa hora, não adianta se culpar nem dar chibatadas nas costas. É hora de tentar entender onde houve o rompimento e tentar restabelecer o vínculo afetivo.’REPORTAGEM DE CAPA


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13 Comentário

  1. bato

    nem tudo na vida é licito a bibla nos ensina dizendo q amai os vossos pai como por simples briga ja estas fora, pensa quando teres filhos como é eles também seram se vão te obdecer ou não

  2. ricardo oliveira

    isso é desculpa para quem não quer pagar o preço pelos seus sonhos.Imediatismo puro e simples.Nunca vão sentir a felicidade de construir um projeto de vida e vê-lo realizado.Nunca receberão elogios pelo seu trabalho,pelo contrário só vergonha.Palavras cmo fé ,trabalho,luta,esperança,força de vontade,coragem,superação,vitória estão longe do dicionário de voçês.

  3. q linda q vc éh viu

  4. Renata Gomes.

    Vida guerreira e batalhadora por ter deixado de ser o que era, para ser o que é hoje ..Bem dotada e com histórias para contar, Bela história de vida…
    Fazendo susseço com livros de alta categoria e narrando suas próprias estrofes com palavras que eram sua própria realidade …
    Legal ..Bjks saúde susseço e mooiiittaas Felicidades…

  5. maguinha

    es muito lhnda pareses ser uma miuda que vai ter td de bm!!!! beijos

  6. FREITAS

    Essas garotas sao maravilhosas

  7. karinne

    A bruna foi uma guerreira ñ é qual quer menininha que deixaria o conforto de sua casa para batalhar ser independente

  8. meo deus ls sao tao feias,sou mas eu
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
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  9. Neto

    Se um homem quer ser feliz tem que conversar com uma garota de programa! Psicologos, médicos e tudo que promete ajuda é pouco perto de uma linda mulher te tratando bem! Estas mulheres são deusas, horoínas que merecem e devem ser admiradas!

  10. VIVA A VIDA katia fantasia

    fui dedicada mae de familia era linda porem meu esposo me humilhava olhando para outras mulheres, sou cupada nao tive coregem de deixa-lo com duas crianças pequenas o tempo passou ele continuou da mesma maneira hoje nao acredito mais nele, mas ele agora sabe que eu acordei e comecei a reparar no que ele fazia. Nao tinha dinheiro e nem coregem de voltar para casa de meus pais tenho uma irmã que sempre me destratou ela nao se casou e nao sabe viver apesar de ganhar muito bem é revoltada por complexo. Quando jovem fui comvidada por um garoto se eu toparia fazer filme porno briguei com ele vc é louco. Casei por amor e suportei até a familia dele que foi contra desde o inicio, tinha un bom emprego e tentei retornar fazer uma faculdade devido a dificuldades tive que parar e nao tranquei a matricula. Sabe aquela mulher que ama enxerga e finge que é cega sou eu, masagora cono perdi meu emprego e a minha identidade sinto me vazia, porem faço coisas que nao faria no começo e casada aprendi muito. ACHO QUE TODA MULHER TM UMA HISTORIA PARA CONTAR A MINHA FOI POR DOAÇAO CONFLITOS AMOR E ODIO. AMO PORQUE ELE QUASE MORREU QUANDO ME DEPAREI NO HOSPITAL NAO SABIA QUEM ERA MULHER QUAL DELAS COM ELE SAIA. ESTAVAN LA SAO DO MESMO RAMO AI DESCOBRI QUE ESTAVA SOFRENDO POR PERDELO E AO MESMO TEMPO TIVE ODIO PORQUE ELE MESMO SE COMFESSOU FOI FORTE DE MAIS. MAS QUANDO VOCE SE DEPARA COM A PESSOA QUE VOCE AMA ENTRE A VIDA E A MORTE EU OFERECI A MINHA PROPRIA VIDA. A MAE DELE ACHAVA QUE EU ERA CULPADA E QUASE TIVE UM DERRAME PORQUE ELA FICAVA BUZINANDO NO MEU OUVIDO HOJE TENHO QUE RELEVAR PORQUE ELE É FILHO DELA MAS SABE QUANDO VOCE QUER SEJA A ULTIMA PESSOA A VER POR PERTO. HOJE ME SINTO CULPADO DE NAO TER ME VALORIZADO ESTOU DEPRIMIDA CHORO NAO TENHO CORAGEM DE PROCURAR EMPREGO TENHO MEDO PERDELO E SINTO UMA VERDADEIRA FRACASSADA. ADMIRO VOCE PELA FORÇA E CORRAGEM NAO SÓ VC N=MAS TODAS QUE SE VALORIZAM PORQUE O CORPO É SEU E NINGUEM TEM NADA HAVER COM. HÁ MUITOS PRECONCEIROS E RELIGIOES QUE CRETICAM MAS FUI VOLUNTARIA MUITO TEMPO HÁ DENTRO DELES COMPETIVIDADE PARA VER QUEM É MELHOR ALGUNS ATÉ TRAEM TANTO HOMENS QTOS MULHERES E DEPOIS FAZEM PAPEL DE BONZINHO PARA SOCIEDADE. É MAIS FACIL ACUSAR UM FRACO INDEFESA DO QUE UMA CUPULA FECHADA SAO MUITOS ELES SE DEFENDEM, A VIDA MACHUCA, MAS TEMOS QUE LEMBRAR QUE DENTRO DE NOS EXISTE UMA LINDA CRIANÇA COM SONHOS PARA CONTINUAR A SOBREVIVER MESMO SENDO O MESMO SENTIMENTO DE ALGUM TEMPO ATRAS ACHO QUE TODOS NOS SOMOS ATORES DA SOCIEDADE EM QUE VIVEMOS AS VEZES TEMOS QUE SER COMO JOGADOR DRIBLHAR PARA SOBREVIVER. NA MINHA DEPRESSAO QDO PASSA TENHO VONTADE DE SER AQUELA GAROTA CORAJOSA, AI FALO COM ELE E ME POE PRA BAIXO DE NOVO.SABE DROGA TIPO COM DEPENDENCIA E PARECE QUE ELE NAO PERCEBE E CHAMA VOCE DE LOUCA, DEPOIS ARREPENDE E DIZ EU TE AMO. SOU DE FAMILIA RELIGIOSA E ACREDITO NO SIM QUE JUREI A ELE. EU AMO DE VERDADE MESMO COM DOR ESTAR FRACA DE ENFRENTAR A VIDA. EU SEI QUE PERANTE DEUS TENHO MUITO QUE AGRADECER……E AGRADEÇO MESMO NA DOR. NA MINHA OPINIAO ELE DEVERIA SE EMPOR E SE TEM AMOR POR MIMI PELO MENOS RESPEITE ENQUANTO EU ESTIVER POR PERTO. AQUELE DITADO O QUE OLHOS NAO VE O CORAÇAO NAO SENTE. APESAR QUE É MENTIRA SENTE SIM PORQUE ELES COMEÇAM A SER DIFERENTES. EU TENHO MAIOR RESPEITO POR VOCEIS E POR TODOS AQUELES QUE ASSUMEM O QUE REALMENTE QUER DE MELHOR PARA SI. BOA SORTE NUNCA FICA TRISTE OLHE PARA ESTRELAS ELAS BRILHAM COMO VOCE. AMO MUITO A NATUREZA E FALO SEMPRE COM DEUS ATRAVES DELAS SEJA MAR MONTANHA, ARVORES E CURTO MUITO DORIVAL CAIMIM PAI E FILHOS. E TODOS QUELES QUE ATRAVES DA MUSICA TEMTO PASSAR DE BOM PARA NOS. MEU MEDICO DISSE PARA MIM VC TEM QUE SE AMAR PRIMEIRO, PARA PODER AMAR OUTROS. O DIFICIL É QUE EU ESTROU TRANCADA NUMA GAIOLA GRITANDO POR UMA CLAVE DE SOL EU NESMA ME FECHEI ENGOLI A CHAVE. NEM PARA PROGRAMA EU SIRVO FIQUEI COM PELE CAIDA DA MINHA SEGUNADA GRAVIDEZ É FLACIDA E FEIO. DESCULPE PELOMEU DESABAFO QUERIA COMPARTILHAR. UM GRANDE ABRAÇO SEJA FELIZ POR MIM. (sigilo quando ao meu Email obrigada)

  11. BRUNA VC E FEIA OK

  12. Carlos Dantas

    Pior do que ler isso é ler a Bíblia AAAAAAARRRRRRRRRRGGGGGGGGGG!!

  13. rafael

    em poucas palavras, não cabe a nós julgar!!

    se é certo ou errado , isto é uma opção individual, e cada um tem seus motivos e conflitos.

    umas gostam outras odeiam. luxo? inocencia? prazer? quem sabe??

    as pessoas criaram um mundo capitalista e agora se surpriendem??

    rsrs..

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