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CARAS E BOCAS – Casa de Criadores – Parte I

30 de nov de 2007

A idéia de caras e bocas foi mostrar um pouco mais que os bastidores de um desfile da Casa de Criadores. Aqui estamos mostrando os detalhes de maquiagem, make-up e as lindas modelos que transportam a moda da cabeça de seus criadores para a passarela e dela para o mercado.

As fotos foram feitas no segundo dia do desfile.Segue matéria e comentários da Uol Estilo e Glorinha Kalil

A segunda noite da Casa de Criadores, nesta quarta (28), contou com participação dos novos entre os já jovens criadores, os estilistas integrantes do chamado Projeto Lab. Apresentado no formato de desfiles curtos (em edições passadas os mais novatos realizavam performances), o projeto revelou algumas interessantes coleções, com destaque para a alfaiataria desconstruída de Valencio Lemes, seguidas das apresentações de dois veteranos afeitos por chamar a atenção na passarela pelo exagero: Rober Dognani, na linha “glamour noite” feminino, e João Pimenta, com seus homens “montados” e ainda sim sempre viris, com grandes histórias por trás de seus looks.Especialista em vestidos de noite que fazem sucesso entre a clientela pelo bom caimento, em modelos feitos sob medida, Rober Dognani afirma ter se inspirado nas técnicas de moulage (quando a roupa é feita direto no corpo do manequim) e nos ilustradores de moda dos anos 20 Ertè, Anon e Casa Balchivitz para criar seus modelos, que provocam bons efeitos com os franzidos que dão um curioso e bonito aspecto de repuxado em pedaços de caudas longas em tecidos brilhantes como o cetim de seda. Na modelagem, o estilista se destaca quando acompanha a silhueta do corpo, ficando na metade do caminho entre o muito solto (que acaba perdendo um pouco a forma) e o muito justo (os curtos justíssimos davam a impressão de estarem um pouco pequenos demais). Um perfume Dior (da coleção desfilada em março e nas lojas agora, para o inverno europeu) aparece principalmente na maquiagem e cabelo das modelos e levemente em algumas referências como os grandes laços, os vestidos de um ombro só e o bufante em cima com a saia ajustada embaixo.

João Pimenta, que encerrou o segundo e penúltimo dia do evento, foi buscar nas civilizações antigas dos EUA e nos índios Navarro e Maori, da Nova Zelândia, elementos para a sua coleção, que ainda contou com teares e bordados africanos, trazidos pelo próprio estilista de uma viagem que fez recentemente. Sempre cheios de produção, “montados”, misturando alguns elementos femininos (um dos últimos looks, era, literalmente, um vestido marinho com flores pretas em veludo), os homens de Pimenta ainda assim são extremamente viris. Desta vez houve uma mistura maior de referências, nos looks, que começaram com mais volume, na base marrom com detalhes pretos, com mais menções à pesquisa de Pimenta, e foram “secando” até os conjuntos justos em jeans bem escuro.

O estilista fez ainda referências roqueiras em rosas de espinho, jaquetas ajustadas, passando pela alfaiataria em jaquetas que lembravam fraques, além da menção à risca de giz. O toque utilitário apareceu nos vários bolsos das calças de cavalo baixo e nas partes de cima em malha mole. O clima mais informal foi dado com o uso de materiais como o moletom, em peças bem usáveis separadamente, embora o estilista tenha optado por uma mistura de muitas referências, em séries de looks com imagens diferentes.Entre os novíssimos criadores, o destaque da noite ficou por conta da inventividade da estilista Karen Valencio Lemes, da marca Valencio Lemes. Em coleção masculina, Karen brincou de desconstruir a alfaiataria masculina de maneira engenhosa e bem feita, trocando de lugar pedaços de camisa, transpassando paletós, colocando zíperes no meio das mangas compridas. Em alguns momentos bem possível de serem usados, em outros mais conceituais, os paletós e jaquetas da estilista provocavam curiosidade de como ela chegou até aquela construção. Os tons amarronzados, as formas mais duras, geométricas, remetem também à vestimenta militar. (site uol estilo)

Projeto Lab – Inverno 2008

Vamos falar a verdade: o Projeto Lab sempre foi encarado como um patinho feio. O nome já avisa: é um espaço “laboratorial”, de experimentos. Só que geralmente ele é marcado por ser experimental até demais, e o pessoal ficava irritado com a falta de zelo no corte e costura em si: de que vale um apreço pela invenção quando a execução deixa a desejar? Só que essa leva do Projeto Lab surpreendeu. Chegaram a brincar na primeira fila: “Hoje é o dia do ‘acertei na modelagem’!”. Alfinetes à parte, o salto na qualidade foi óbvio. Maior exemplo é a Valencio Gomes, marca masculina assinada por uma mulher, Karen Valencio Gomes, que buscou a personagem instigante de O processo, de Franz Kafka, para mostrar looks que desconstróem a alfaiataria tradicional masculina, com sobreposições esquisitonas, estruturas rígidas e propositalmente assimétricas, tentativas de representar em imagem as contradições daquele homem inserido num mundo que lhe é estranho, que lhe confunde. O release dá a deixa: “os acessórios (…) exigem a revisão das estruturas”. Repensemos a manga do paletó, o guarda-chuva, a mochila, a calça – por que eles têm que ser do jeito que estamos acostumados, se já não nos sentimos acostumados com o meio, que nos coloca em situações absurdas (e lá vem O processo, de novo, dos anos 20 do século do passado, cujas reflexões ainda são tão atuais).

Raquel Gaeta trouxe uma mulher cool e intelectual inspirada na obra Carol, da escritora Patricia Highsmith. O livro aborda uma relação entre mulheres, e os looks de Raquel privilegiam uma sensualidade que não está no decotão, mas no charme de uma roupa bem cortada e feminina. As bermudas são ótimas, e tudo é muito bem feito. Pantalona lindíssima – para quem quer se aventurar nessa peça que está ensaiando uma volta faz algumas temporadas, vale a aposta. O vestido volumoso, azul listrado com a barra mostarda, é bonito mas pareceu meio perdido no meio dos outros looks, que sugerem um foco em uma cliente menos garotinha.

Tony Jr, por sua vez, já tem uma história de garimpo fashion – seu brechó ficava em uma vila na Rua Augusta, com peças superselecionadas e algumas customizadas por ele. Agora assumindo de vez o lado estilista, ele se jogou na curtição dos anos 70 nessa estréia com mulheres poderosas de meia-pata, vestidos esvoaçantes, macacão, patchwork coloridão, cabelo armado. A trilha, que começou com um sax kitsch, dava a deixa: “Gotta lot to love”, dizia a disco music. Ou seja: roupa para mulheres empolgadas para amar e se aventurar.

André Phergom já tem uma história com o fitness, moda praia, streetwear e surfwear (ele trabalhou em todos os segmentos na sua trajetória como estilista até agora, em empresas diversas como Adriana Degreas e Ecko). No seu trabalho autoral, se afasta desses campos e vai para algo mais refinado, para homens e mulheres. Tem peças bacanas, inclusive em alfaiataria… mas parece que sua identidade como criador ainda está em formação. A ver.(Por Glorinha Kalil – Site Chic) 28.11.2007


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