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Da maturação feminina

29 de jul de 2008

Rrriot girl? No. I´m a silent-acting woman, baby!
Achei ontem no Orkut uma comunidade muito interessante sobre ‘mulheres maduras que gostam de heavy metal’. Achei a idéia de tia metaleira muito engraçada, pois fiquei pensando se me encaixo no perfil. Bem, como sou filha única, não sou tia anyway, mas a idéa de “mulher madura” é um arquétipo insalubre que acaba servindo como justificativa e punição para as mulheres chovinistas. Pra mim, o que tá maduro logo, logo cai do pé.
Amadurecer, maturar (no melhor caso, com álcool, certamente), aquela história de melhores vinhos, de que se fica mais sábia, de que se tem mais equilíbrio, ‘As pontes de Madison’, as idéias de Simone de Beauvoir sobre a Velhice e Sérgio Reis e sua ‘elegia’ (ou analogia) sobre mulheres e panelas. Na metade entre os 30 e 40, pra mim tudo isso é bullshit.
A verdadeira coisa que a ‘maturação’, me rendeu, foi que aprendi a ser criança sem culpa nem remorso, a brincar de viver os dias com um prazer infantil de gargalhadas baratas e choro desinibido. Sem essa história de adultescente, pois na minha maturação não cheguei lá ainda. E nem vou chegar. Talvez no máximo uma puberdade, pra começar a coçar o clítoris com o controle remoto de novo enquanto sonho com o que há (ou não) por trás da máscara do Paul Stanley do Kiss.
Ter tempo pra não fazer nada. Brincar do que quero ser, não quando crescer, mas agora, cabendo nos sapatos da minha mãe, mas resolvendo trilhar meu próprio caminho, vestindo a fantasia da minha pele como os vários eu-personagens e vendo nas nuvens o que meus olhos dizem sobre mim.
Infantil. Será? Pois os sonhos hoje não são devaneios, são objetivos. Se perde a ilusão mas não o gosto pela brincadeira, de se enterrar na areia ou entre as pernas do ser amado, de rolar na grama e na cama, de se lambuzar de sorvete e de outros fluidos pra depois dormir com a barriga e o coração cheios.E enxergar. Ver o mundo sabendo que não se sabe. Com olhos de primeira vez todas as vezes, com mãos que buscam e dedos que sentem, como criança que chama a outra pra brincar.
Quer brincar comigo?

Este texto foi escritp pela minha amiga Valeria Brandini, antropóloga, comunicóloga, “marqueteira”. Catedrática, conhece moda como ninguém e escreve melhor ainda. Visitem seu Blog – http://www.vbrandini.livejournal.com/

www.comunidademoda.com


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