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"Instinto Selvagem 2" vira thriller sexual

26 de abr de 2006


“Instinto Selvagem 2″ vira thriller sexual medíocre; veja trailer e fotos de Sharon Stone

Por Kirk Honeycutt

HOLLYWOOD (Hollywood Reporter) – O primeiro “Instinto Selvagem”, de 1992, rendeu 350 milhões de dólares e alavancou a carreira de Sharon Stone, que interpretava a sedutora e possivelmente assassina escritora Catherine Tramell. A vilã não poderia desaparecer de cena para sempre, e a sequência começou a ser trabalhada há vários anos.
O que finalmente surge em “Instinto Selvagem 2″, estréia da sexta-feira, é algo que lembra o original, embora possa desapontar de várias maneiras.


No primeiro longa, em uma mistura alucinante de sexo, sedução e assassinato, uma “femme fatale” e um policial corrupto se encontram em uma Califórnia ensolarada, com ângulos de câmera dignos de Hitchcock e uma trilha sonora instigante de Jerry Goldsmith.
Contrastando com esse clima, “Instinto 2″ acontece numa Londres pós-moderna sombria, elegante e fria, com interiores cavernosos, superfícies muitas vezes monocromáticas e sombras por toda parte.

O diretor, desta vez, é o britânico Michael Caton-Jones, que apresenta as cenas de sexo de maneira que provoca o distanciamento do espectador. Enquanto no original se percebia o voyeurismo entusiasmado do cineasta Paul Verhoeven, no novo há um repúdio do próprio diretor pelas passagens mais picantes.
Para complicar as coisas, a sequência, escrita por Leora Barish e Henry Bean, se deixa encurralar pela necessidade de repetir temas e cenas do original, em lugar de lançar-se com ousadia na exploração de território novo.

DIÁLOGOS HILÁRIOS

Sharon Stone está de volta no papel da romancista. Mas o policial de San Francisco representado por Michael Douglas se foi, e seu lugar foi tomado por um psiquiatra gélido, Dr. Michael Glass (David Morrissey).
A substituição é decepcionante e desequilibra a interação. Desde o primeiro momento em que Glass aparece em cena, percebe-se que ele não tem condições de encarar o páreo com Catherine Tramell.

Os diálogos em muitos momentos são hilários — “até a verdade vira mentira com ela!”, grita o investigador de polícia representado por David Thewlis, falando de Tramell. As tramas sexuais são dignas de telenovela, e a solução de todos os assassinatos é totalmente destituída de credibilidade.
Catherine é uma mulher viciada em assumir riscos, que sente necessidade de correr perigo cada vez mais. Quando a escritora, transferida para Londres por razões não explicadas, mergulha no Tâmisa tarde da noite com seu carro esporte, ela se vê envolvida na morte de um jogador de futebol.
O superintendente Roy Washburn (Thewlis) convoca o psiquiatra criminal Dr. Glass para fazer uma avaliação clínica dela.

SEM MUITA LÓGICA

A análise que ele faz parece impressionar Catherine, já que, ao ser solta, ela o procura para ser seu terapeuta. Ele a aceita como paciente apesar das objeções de sua colega, a Dra. Milena Gardosh (Charlotte Rampling).
Como seria de se esperar, os papéis se invertem: durante as sessões de análise, Catherine provoca o psiquiatra e arranca informações dele, sem revelar muito a seu próprio respeito.
E, é claro, ele se apaixona totalmente por ela. Enquanto Washburn continua a tentar incriminar Catherine pela primeira morte, ela se insinua nas vidas de quase todos ao redor de Glass — sua ex-esposa (Indira Varma), um jornalista (Hugh Dancy) que está escrevendo uma matéria crítica sobre o psiquiatra, e até mesmo a Dra. Gardosh. Nem todos sobrevivem.

A performance de Morrissey é desajeitada e pouco convincente, e Sharon Stone chega perigosamente perto de exagerar na dose no papel da femme fatale.
Na parte menos digna de crédito da história, Catherine deixa o bom doutor segui-la pelas ruas decadentes do Soho, onde paga a um cafetão num bordel para transar com ela, sabendo que Glass a está observando.

O filme acaba virando um thriller sexual mais brando, no qual muita coisa é previsível, apesar de estar longe de ser lógica.


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