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  • LISBOA FASHION – O Palácio Beau Sejour

    Tendencias e Inspiração

    29/05/2008

    PALÁCIO BEAU SÉJOUR
    DESIGN, HISTÓRIA & ARQUITETURA
    UM NOVO ESPAÇO FASHION EM LISBOA
    Em 1849, uma quinta denominada das Loureiras – sita no lugar da Alfarrobeira, em Benfica – é adquirida pela Viscondessa da Regaleira, D. Ermelinda Allen Monteiro de Almeida (1768-1858), que a transforma na quinta do Beau Séjour. Cerca nove anos mais tarde, em 1858, a propriedade é adquirida pelo Barão da Glória, António José Leite Guimarães (1806-1876) – um rico brasileiro – à herdeira da Viscondessa, falecida no ano anterior. Após a morte do Barão da Glória a quinta fica na posse dos seus herdeiros durante cerca de cem anos, até à década de setenta do século XX.Qual dos iniciais proprietários foi o responsável pela construção do palacete e pela organização do jardim? A resposta é ainda difícil.

    É todavia possível supor que a Viscondessa da Regaleira construiu o palacete e começou a ditar as feições do jardim – recorde-se que quando o Barão adquire a propriedade se refere a existência de uma casa nobre e de um grande lago no jardim. Pode igualmente ter-se como provável que o Barão da Glória procedeu ao revestimento do palacete com azulejos estampilhados mas nada, a nível documental, confirma e/ou prova tais suposições.Já no final de Oitocentos, será o sobrinho e herdeiro do Barão, José Leite Guimarães, a realizar uma completa redecoração do interior da casa. Com exemplar coerência mecenática e a direcção artística do pintor e arquitecto Francisco Vilaça, o palacete vê-se artisticamente enriquecido e como que transformado num pequeno museu de toda uma geração de pintores portugueses, onde pontificavam todos os elementos do denominado Grupo do Leão, amigos pessoais do proprietário.Quer por via da decoração aplicada, quer pela aquisição de pintura, o palacete atinge então o seu auge de caracterização e de investimento afetivo.

    Pode assim tentar-se reconstituir o que seria então a vida no Beau Séjour, de que as mais antigas fotografias nos falam, a vida numa quinta relativamente extensa nos arrabaldes da capital, bastante produtiva em termos agrícolas e, em simultâneo, espaço lúdico privilegiado.No final do século XIX o visitante que entrasse pela porta principal do palacete encontrava-se num vestíbulo cujo tecto era decorado pelo branco dos estuques, em motivos que vagamente aludiam a um neo-gótico.Transpondo a porta da esquerda entrava na SALA DE ESTAR. Pouco notório, a nível de decoração aplicada à arquitectura, este pequeno compartimento distinguia-se quase exclusivamente pelo conjunto de marinhas, da autoria de Francisco Vilaça, que decorava as paredes.

    Da sala de estar passava-se para a BIBLIOTECA. Pouco elaborada em termos de decoração aplicada, esta sala vivia essencialmente do jogo de tons de castanho entre o parquet e o tecto, também ele de madeira, com embutidos em tonalidades várias.Deste compartimento tinha-se acesso a um quarto de vestir ou ante-câmara e, por fim, a um quarto de dormir, com a sua bay window, que se situa no extremo Oeste da casa.Percorrendo o longo corredor que atravessa a casa de Nascente a Poente, observava-se à esquerda a cozinha e zona da copa, antes de regressar ao vestíbulo principal.Onde, optando pela porta da esquerda, se entrava na denominada GALERIA OU SALA DOS QUADROS.
    Decorado por Francisco Vilaça – que para o tecto pintou telas figurando alegorias da Pintura e da Escultura – este compartimento era o grande repositório da colecção de pintura do Beau Séjour, nos seus muros podiam observar-se obras nomeadamente de Tomás José da Anunciação (1818-1879), José de Moura Girão (1840-1916), Silva Porto (1850 – 1893), Alfredo Keil (1851-1907), José Júlio Sousa Pinto (1856-1939), António Ramalho (1858-1916), Ribeiro Cristino da Silva (1858 – 1948), João José Vaz (1859-1931) e Carlos Reis (1863-1940).Pode mesmo afirmar-se que, no final do século XIX – início do século XX, o Beau Séjour em geral e a sua Galeria em particular, constituía um significativo repositório da pintura portuguesa da época, aquilo que, de forma anacrónica, poderíamos designar um pequeno museu do Naturalismo, em termos de pintura nacional.
    Pela porta da direita tinha-se acesso directo ao SALÃO DOURADO, a que a decoração integralmente em bege e dourado deu o nome, era o mais notável compartimento do palacete. Com as paredes revestidas de damasco cor de tabaco e com uma magnífica tela representando O Carnaval de Veneza incorporada no tecto e dominando todo o ambiente, esta é por excelência a sala de Columbano. Com efeito, um dos artistas convidados por Francisco Vilaça para colaborar na redecoração do Beau Séjour foi Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929).No Beau Séjour, Columbano foi sobretudo decorador. Ele, que assinara já numerosas decorações, tanto de palacetes particulares – como o do Conde de Valenças, do Marquês da Foz, do Conde de Ficalho, etc. -, como de grandes edifícios públicos, no palacete de Benfica foi o responsável pela grande tela incorporada no tecto do Salão Dourado, figurando O Carnaval de Veneza, e por outras três telas destinadas a Sala de Jantar.
    A tela do Salão Dourado projecta o espaço em altura, através da sua audaciosa composição em termos perspécticos. Nela se prolonga a arquitectura – em colunas e entablamentos , onde várias figuras se debruçam, observando os ocupantes da sala. A luminosidade procurada pelo pintor vem, ora marcar a alegre expressividade dos rostos, ora adocicar o colorido e a textura dos tecidos representados.A lareira, de ferro fundido e decorada com azulejos oitocentistas de estampilha, numerosas peças de mobiliário de estilos diversos e alguns objectos cerâmicos, contribuíam para o carácter eclético deste que era tido como o compartimento mais requintado da casa.
    Contígua ao Salão Dourado era a SALA DE MÚSICA, cuja decoração ficou a cargo do orientador de toda a campanha de enriquecimento artístico ocorrida no final de Oitocentos: Francisco Vilaça. O artista concebeu uma decoração logicamente inspirada na arte a que a sala era consagrada, executando estuques figurando instrumentos musicais, tais como liras e flautas de canas.
    No tecto e na bandeira da janela observam-se telas de Vilaça, a primeira representando uma figura feminina – assinada e datada : “F. Vilaça 1892″ – e a segunda figurando uma personagem mitológica. Nos pés-direitos do arco que dá acesso à zona semi-circular criada pela bay window são visíveis almofadas de estuque com figuras femininas revelando afinidades compositivas com a da tela aplicada no tecto. Voltando ao longo corredor encontrava-se à esquerda um pequeno vestíbulo de acesso à SALA DE JANTAR. A Sala de Jantar, de planta sensivelmente quadrangular, constitui-se, em termos decorativos, como uma entidade extremamente homogénea. Os três artistas responsáveis pela sua redecoração – Columbano, Rafael e Maria Augusta Bordalo Pinheiro – souberam adequar-se entre si, bem como a um objectivo final que era comum.
    A curiosa circunstância de se encontrar os três irmãos Bordalo Pinheiro a trabalhar em conjunto deve-se certamente ao facto de esta ter sido uma encomenda que estava associada a dois amigos comuns: Francisco Vilaça e José Leite Guimarães. As circunstâncias que envolvem esta decoração do Beau Séjour são de facto particulares do ponto de vista da relação entre proprietário, orientador dos trabalhos e artistas envolvidos, dando-lhe características de um empreendimento quase que familiar.
    Assim, encontra-se a fantasia de Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) na sanca relevada que corre ao longo da sala – onde frutos se acumulam em tonalidades verdes e amareladas -, bem como no candeeiro, no qual flores e insectos pululam, e ainda nos azulejos de padrão “nenúfar e rã” aplicados no muro Oeste; a delicadeza de Maria Augusta (1841-1915) nos painéis em “L” que no tecto figuram plantas, em verdes e tons avermelhados; a força e dinamismo de Columbano nas três telas onde meninos brincam com caça, peixes e crustáceos, frutos e vegetais – obras estas assinadas e datadas de 1887. Rafael Bordalo Pinheiro foi ainda o responsável pelo grande painel cerâmico, integrando um lava-mãos, aplicado no muro Oeste do pequeno vestíbulo que precede a Sala de Jantar.
    O jardim do Beau Séjour, que se alonga perante o palacete e avança até ao alinhamento da Estrada de Benfica, funciona de facto como parte integrante da casa. O jardim constitui-se simultaneamente como um espaço prévio que conduz à casa e como um espaço final, porque é para ele que os olhares se dirigem, desde numerosos compartimentos do palacete – é a paisagem construída para a casa.Trata-se afinal de uma miniatura de um jardim romântico, criação característica do século XIX e em cuja génese se situam os jardins paisagísticos ingleses de século XVIII, à escala de uma casa de quinta nos arredores da Lisboa de Oitocentos.
    Considerando as informações até ao presente reunidas, há que entender o Beau Séjour como um objecto cujo estudo apenas se iniciou. Revela-se necessário, para promover uma efectiva compreensão da problemática do Beau Séjour, conceder uma maior atenção a aspectos apenas aparentemente periféricos, como sejam: a história urbana de Benfica e das suas quintas no século XIX, antes e depois do surgimento da ligação ferroviária a Sintra; a necessária análise aprofundada do papel social do brasileiro, bem como da arquitectura por ele produzida e suas influências no panorama arquitectónico coevo.

    Por todo o valor, por todas as potencialidades arquitectónicas e paisagísticas que em si reúne, é o Beau Séjour um edifício cuja preservação e reutilização se revelavam essenciais, numa parte de Lisboa que assistiu à destruição de preciosos testemunhos da vida da cidade (e sua periferia), de fragmentos da memória dessa cidade que é afinal a nossa memória.
    TERESA LEONOR M. VALE – Fev. 2008 (texto original em português de Portugal) – Fotos: PAULO FERNANDO

    A direita nossa anfitriã na visita ao Palácio, Eunice Gradil, com toda a equipe do Gabinete. Ao centro Albany Guimarães, representante exclusiva da Trois Design para Portugal. Desta reunião, surgiu além de uma amizade com estas meninas lindas, um evento absolutamente novo para a indútria de Jóias e Bijoux do Brasil e o mundo fashion de Portugal. Aguardem maiores notícias.

    Paulo Fernando

    SERVIÇO

    Localização: Palácio do Beau Séjour, Estrada de Benfica, 3681500-100 LISBOA – PORTUGAL.

    Tel: 217701100

    Email: geo@cm-lisboa.pt

    Internet: geo.cm-lisboa.pt

    Onibus: 16, 746, 54, 768, 758

    linha de Metro: Azul, Estação: Alto dos Moinhos
    Obs: Estacionamento disponível
    .

    www.comunidademoda.com

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    3 respostas para “LISBOA FASHION – O Palácio Beau Sejour”

    1. Julia Pires disse:

      Vim aqui dar acidentalmente. Aprendi coisas que não sabia. Creio que neste magnifico texto mereceria que fosse referido o empenho do então vereador da Cultura da CML no inicio dos anos 90 do século passado na recuperação do imóvel e dos jardins do Palácio Beau Séjour… Se assim não fôra a sua recuperação não teria sido provávelemte feita e estaria dado ao abandono e semi-destruído. Só por isso é hoje um lugar a referenciar como um ponto de visita de encantamento para todos nós…

    2. agustinho muller disse:

      gostaria de receber mais informaçao de albany guimaraes pela foto que esta postada acredito ser uma pessoa que a muito tempo eu perdi contato. e ela foi uma amiga muito especial.

    3. Karno disse:

      Anf3nimo disse… Ente3o onde este3o as obras que o anterior dtcorier municipal efectuou? Que segundo se consta sem autorizae7e3o do Senhorio do imf3vel! Le1 foi o nosso dinheiro!12:04 AM………………..Se fosse caso unico estava Portugal bem.

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