Lacoste, Ermenegildo Zegna, Sony, Montblanc, Nokia e Stella McCartney estréiam no formato flagship no País
Na semana passada, o francês Michel Lacoste, filho do fundador da grife, veio a São Paulo para conhecer a primeira flagship da empresa no País. Dias antes, o neto do italiano Ermenegildo Zegna desembarcava na cidade pelo mesmo motivo.
Em breve, Montblanc e Sony também entram na era das flagships no Brasil. Nos próximos 12 meses, segundo o Estado apurou, são aguardadas as lojas da Nokia, da Whirlpool (com a linha de eletrodomésticos sofisticados) e da aclamada estilista Stella McCartney. Todas seguem o conceito das flagships.
Não se trata de uma coincidência. Há uma nova geração de lojas do gênero, não só de marcas de luxo, sendo abertas no Brasil. Para a maioria dos consumidores, flagship ainda é um palavrão. Mas é bom se acostumar à expressão, que nasceu no mar – é o nome dado à embarcação mais importante de uma esquadra – e foi adaptada para o varejo. Em geral, são lojas mais espaçosas e inovadoras que as convencionais, onde é possível encontrar toda a linha de produtos de uma marca.

Quando surgiram, eram quase uma galeria de arte, com pouca mercadoria e muito espaço vazio. A prioridade não era vender o produto, mas, sim, o conceito da marca. “Elas continuam sendo vitrine, mas deixaram de ser conceituais apenas”, diz o consultor Carlos Ferreirinha, da MCF Fashion. “As marcas estão se profissionalizando e isso exige lojas lucrativos.
LABORATÓRIO
Por trás dessa estratégia, está uma mudança estrutural do consumo, que não está restrita ao Brasil. “Como os produtos viraram commodities e a competição ficou mais forte, o ponto de venda tornou-se estratégico para as marcas expressarem sua individualidade e interagirem com o cliente”, explica o sócio da consultoria Gouvêa de Souza & MD, Alberto Serrentino. As lojas da Sony funcionam como um laboratório. Como nas redes tradicionais de varejo seus produtos disputam espaço com um infinidade de outras marcas de eletroeletrônicos, é ali que ela consegue captar os desejos e o comportamento do consumidor.
No mundo, a rede já tem mais de 200 unidades. No Brasil, a primeira ficará no Shopping Cidade Jardim, cuja inauguração está prevista para maio. “Você só vai ter o contato real com o cliente se acompanhar uma experiência de compra do começo ao fim. Isso não acontece numa loja muito conceitual”, acredita o gerente de desenvolvimento de negócios da Sony Brasil, Paulo Jaen. Além dos produtos da marca, a flagship terá espaço para demonstrar e experimentar as tecnologias, um pequeno estúdio fotográfico e salas para home theater, seminários e reparo de produtos.No fundo, o que as marcas querem é vender mais e com lucro.

Mesmo as lojas que nasceram apenas como instrumento de marketing, como a Niketown, transformaram-se com o tempo em campeãs de vendas. A Apple Store de Nova York virou ponto turístico e também a loja que mais vende no mundo. “Na Montblanc, as flagships estão no topo do ranking de receita. O ambiente (móveis e iluminação) é construído e pensado para estimular as compras.

O consumidor mergulha no ambiente da marca”, diz a gerente de marketing da Montblanc, Adriana Tamobolatto.No País, a grife vai abrir a sua primeira loja do gênero no Shopping Cidade Jardim. Seu tamanho é três vezes maior do que das outras lojas da Montblanc no País. Abrigará toda a linha – canetas, relógios e jóias -, com ambientes separados para homens e mulheres. A empresa espera que essa inauguração devolva ao Brasil o peso que ele teve no passado.O Brasil e a Índia são os únicos países onde a Montblanc ainda é operada por terceiros.

E assim deve continuar. No resto do mundo, a empresa e passou a tocar as operações por conta própria. Esse não é um movimento exclusivo da Montblanc. Outras marcas como Lacoste, Ermenegildo Zegna, Emporio Armani e Ferragamo estão no mesmo caminho. Para Ferreirinha, a série de inaugurações de grifes no País, com flagships ou lojas comuns, não significa que o Brasil seja a bola da vez no mercado mundial de luxo, embora hoje tenha muito mais escala do que há dez anos. Mas, sim, uma retomada dos licenciamentos, o que exige investimentos. “As empresas precisam aumentar a eficiência. É uma tendência mundial, com reflexos no Brasil.”
Caderno de Economia – O Estado de São Paulo – Patrícia Cançado
Meus Comentários: Nesta reportagem foi analisada grandes marcas mundiais. Aqui no Brasil temos alguns exemplos já edificados e crescendo. Depois de ver o mercado de exportação diminuir em função da queda do valor do dólar a indústria de calçados Via Uno do sul do País partiu para lojas de marca própria. Já temos franquias da loja em todo País e a Via Uno não deixou de vender para o varejo normal de calçados.
Um amigo que voltou ontem de Nova Iorque me falou que não se encontrava um Iphone para se comprar em nenhuma loja da Apple. Coisas de um mercado aquecido e de um produto de sucesso.

Vejo esta ação da Nokia uma ação de marketing de guerrinha contra o sucesso do Iphone da mesma Apple. Além disso, produtos eletronicos e de computação estão cada vez mais sendo vendidos pela internet e estas lojas conceituais servem como experimento dos produtos.


Stella McCartney é a grande estilista de Londres sua linha criada para a Adidas é um sucesso em todo mundo. Vai ser muito bacana ver uma loja dela aqui no Brasil.
Paulo Fernando
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