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  • RITA LEE VIVE, VIVA RITA LEE – História da Moda

    editorial, História da Moda, Pesquisa de Moda, Tendencias e Inspiração

    31/01/2012

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    Nossos ídolos só são reconhecidos quando morrem.

    Amy Winehouse era o sonho de consumo de qualquer paparazzo, principalmente quando seu quadro de alcoolismo se tornou grave. Causa ou efeito ninguém sabe Amy morreu, a turma do Pânico se aproveitou disso e cometeu uma das maiores indelicadezas que já vi ao invadirem seu enterro. E hoje Amy se tornou uma santa idolatrada e respeitada. Eita hipocrisia, ela sempre foi um gênio.

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    Tim Maia, Raul Seixas, Janes Joplin, Maisa, Marylin são tantos os que morreram cedo e se tornaram mitos, mas foram massacrados pela mídia enquanto vivos.

    Rita Lee está viva, com 64 anos de idade, produzindo criou filhos e netos.  Já vendeu mais de 60 milhões de cópias de discos. Rita Lee é a cantora brasileira que mais vendeu na história da música do país.

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    A história de Rita Lee se confunde com a época mais criativa e mais produtiva que a história contemporânea já passou. Os anos 60 e 70. Junto com Gil, Caetano e os Mutantes fizeram o movimento tropicalista brasileiro, o que aconteceu de mais pop no Brasil e marcou uma época que serve de inspiração para infindáveis coleções que já passaram pelas passarelas da moda.

    A época de Lívio Rangan e os famosos desfiles da Rhodia, Rita Lee e os Mutantes tiveram participação importantíssima no que foi o maior movimento de moda de toda a história do Brasil.

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    Abaixo, um trecho do livro – Divina Comédia dos Mutantes, de Carlos Calado

    Amigo de Lívio Rangan, o chefão da Rhodia, Midani (gravadora Philips) costumava se reunir com ele para sugerir nomes de artistas, sempre que uma nova superprodução da empresa era planejada. Num desses encontros, no início de 1970, ao sentir um especial interesse de Rangan pelos dotes artísticos da garota, Midani percebeu que chegara o momento de investir na carreira individual de Rita. O big boss da Philips já sabia que as coisas não andavam bem entre os Mutantes e, apesar de ser fã do trio, calculou que a separação poderia ser boa para todos os envolvidos.

    O show Nhô Look era mais uma prova de que Rita levava mesmo jeito para o palco. Elogiada por seu desempenho, ela teve nesse espetáculo a chance de mostrar seu talento extra-musical. Além de cantar e dançar, interpretava o papel de uma garota caipira, Ritinha Malazarte, acompanhada por uma bandinha interiorana com 14 músicos. A coleção exibida por Rita e as manequins do elenco (entre elas Mila Moreira, que depois veio a se tornar atriz) adaptavam para o contexto brasileiro a moda paysan, inspirada no vestuário das camponesas européias.

    Além do próximo show-desfile da Rhodia, na Fenit, do qual seria novamente a protagonista, Rita também foi convidada a criar roupas para uma grife jovem, que levaria seu nome. Se os Mutantes não se cuidassem rápido, corriam o risco de perder sua vocalista.

    Apesar da resistência de Rita, maior ainda depois que ela voltou às boas com os Mutantes, os planos de André Midani e da Philips para transformá-la em uma cantora de sucesso prosseguiram conforme o traçado. Em julho, Rita retornou ao velho Estúdio Scatena para gravar seu disco, quase a toque de caixa. O álbum deveria estar prensado até meados de agosto, para ser lançado durante a nova produção da Rhodia, na qual Midani também deu vários palpites, de olho no marketing que o espetáculo renderia para a carreira solo de sua nova estrela.

    “Encontramos a estrela da década!
    Rita Lee”

    O outdoor que surgia no encerramento do novo show da Rhodia, com Rita no papel principal, fundiu a cuca de muita gente. Depois da anunciada separação dos Mutantes, da boa atuação de Rita no show-desfile Nhô-Look e, mais ainda, após a notícia de que ela acabara de gravar seu primeiro disco individual, era difícil para quem visse esse espetáculo acreditar que ela ainda ligava seu futuro musical ao dos irmãos Baptista.

    Na véspera da estréia do show, no Pavilhão do Ibirapuera, Rita jurava aos repórteres que nem passara por sua cabeça deixar de ser a vocalista dos Mutantes. No entanto, o espetáculo que estreou dia 8 de agosto de 1970, dentro da FENIT (Feira Nacional da Indústria Têxtil), sugeria algo bem diferente. Para começar, o próprio enredo do Build Up Eletronic Fashion Show girava em torno de uma garota (Rita Lee) que sonhava se tornar uma grande estrela. Outro detalhe significativo: Build Up (expressão que significa construir uma imagem; criar em torno de uma pessoa, ou de um produto, uma maneira de facilitar seu consumo) era também o título do LP de Rita, que a Philips prometera distribuir às lojas alguns dias mais tarde.

    Produzido por Roberto Palmari, com direção musical de Rogério Duprat e Diogo Pacheco, o show mostrava, com boas doses de meta-linguagem, os bastidores do mundo da comunicação de massa e da propaganda. O cenário reproduzia as instalações de uma agência de publicidade, cujos clientes eram, na verdade, os 14 patrocinadores do espetáculo, caso dos postos de gasolina Esso, do cigarro Hollywood, do rum Bacardi, do uíque Old Eight, da bicicleta Caloi, ou da revendedora de automóveis Bino-Ford, entre outros.

    O elenco também era enorme. Além de 16 manequins da Rhodia e do balé de Ismael Guizer, participaram o ator Paulo José (como o diretor artístico da imaginária agência), os cantores Jorge Ben, Juca Chaves, Tim Maia, Marisa (vocalista do Bando) e os conjuntos Trio Mocotó, Lanny’s Quartet, Coral Crioulo, Os Ephemeros e Os Diagonais. No palco, havia também um sofisticadíssimo sistema audiovisual, controlado por um computador eletrônico, que utilizava seis telas – em quatro delas eram exibidas centenas de slides; em duas outras, um documentário colorido em 16mm.

    Rita saiu-se muito bem. Mais uma vez, representou, cantou, dançou e atuou como garota-propaganda, graças a um papel que serviu como uma luva à sua irreverente verve humorística. Ao interpretar a garota ingênua e desajeitada que sonhava se tornar manequim chegava a escorregar e cair sentada durante um desfile, arrancando muitas risadas do público.
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    Divina Comédia dos Mutantes, de Carlos Calado                                                                  Editora 34, 1996 – 358 páginas

    Composto a partir de dois anos de pesquisas e cerca de duzentas entrevistas, o livro do jornalista e crítico musical Carlos Calado reconstitui a trajetória da banda desde suas origens, em 1966, até sua dissolução, em 1978. O material recolhido por Calado traduz toda a irreverência e originalidade do grupo, considerado por muitos o maior fenômeno do rock brasileiro de todos os tempos. Além de contar em detalhes toda a história dos Mutantes, o livro é ilustrado com mais de cem fotografias e traz ainda a discografia completa da banda.

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    Desfiles da Rhodia

    As roupas desfiladas eram executadas por diversas tecelagens e confeccionistas, todas, sem exceção, clientes da Rhodia. Para o desfile, eram produzidas uma quantidade grande de peças (ultrapassava-se os 100 looks) , dispostas na passarela e que tentavam repassar tendências internacionais colhidas por Rangan e equipe em suas viagens internacionais.

    Só para se ter uma idéia do rigor destas pesquisas, em matéria da revista Veja de 15 de abril de 1970 (p.78), Lívio Rangan fala sobre a tendência internacional desvalorização da moda paysan (isto é, camponês) que invadia a Europa naquele momento (referência clara a um movimento de antimoda hippie, que, uma vez consumido pela lógica da moda, torna-se, entre outras coisas, uma moda camponesa). A referência, no Brasil, ao mundo rural não é a do imaginário do camponês europeu, mas da pessoa que vem da roça.

    Para conseguir introduzir essa tendência no mundo cultural brasileiro, Rangan manda sua equipe para o interior de São Paulo durante dois meses e adapta a moda paysan

    para a cultura do país, ou melhor, para o consumo do país.

    Concebem o show Nhô Look  apresentado na UD e que conta com a participação de Rita Lee e da dupla sertaneja Tonico e Tinoco. Nas palavras de Lívio Rangan:

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    “Somente vendo a roupa no ambiente em que foi criada, a mulher se sente encorajada a usá-la”

    As pesquisas reuniam todas as formas expressivas. Dessa maneira, a música não era somente um pano de fundo, mas parte fundamental para constituir a experiência total que era vivenciar os desfiles-show da Rhodia. Esses desfiles monumentais eram executados primeiramente em São Paulo, depois seguiam pelo país em versões itinerantes, configurando-se como uma estratégia para disseminar as tendências aos ‘quatro cantos do país’. (texto extraído do doutorado de Patricia Sant’Anna – Coleção Rhodia Arte e Design de Moda nos anos sessenta no Brasil  – Unicamp)

    Hoje, em dia quem tenta fazer isso é a Monange com seu Monange Fashion Show, que são shows de bandas, modelos famosas, desfilando não sei o que, pelas principais capitais do País. O que agrega isso a marca? Não sei, mas tive que pesquisar quem era a marca.

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    Voltando a querida Rita Lee, aconteceu um episódio extremamente desagradável naquele que seria o último show ao vivo de Rita em Aracaju – Sergipe no último sábado (28/01).

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    Revoltada com a maneira que os policiais revistavam a galera ela falou algumas coisas que acabou levando Rita Lee Jones para a delegacia no final do show.

    Rita Lee não foi mulher de ficar quieta nem nos tempos da ditadura sempre defendendo aquilo que acredita.

    Levaram uma senhora de 64 anos para a delegacia, seu marido o musico Roberto Carvalho esta procurando no estatuto do sexagenário alguma coisa que a defenda. Foi isso que ele divulgou em seu facebook.

    Eu tenho um amigo na propaganda que sempre falava que depois de certa idade, adquirimos uma liberdade poética de fazer as coisas da maneira que queremos e de contestar o mundo.

    Rita Lee é um ícone, é mulher, é linda e tem uma história maravilhosa para contar. Salve, salve Rita Lee. Paulo Fernando – Comunidade Moda – Fotos: Pesquisa Comunidade Moda 

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